terça-feira, 12 de julho de 2011

Quando não há dinheiro para o salmão, come-se atum...de lata.

Há dias li num jornal que Passos Coelho, ilustríssimo primeiro-ministro, impôs ainda mais medidas de austeridade e cortes nas regalias no governo. Ora muito bem. Isto vem na sequência de uma outra, tomada há umas semanas, que dava conta da troca de bilhetes de executivo para económico. Na altura, tive o prazer de ler dois artigos interessantíssimos de Ferreira Fernandes e João Miguel Tavares sobre o assunto e que curiosamente, no título, usavam a mesma palavra: demagogia. Dei por mim a ir ao dicionário ver o seu significado. As novas regras ditam que os ministros vão deixar de ter cartão de crédito para despesas de representação, portanto os camarões e a lagosta passam a ser pagos do seu bolso, acabam-se os carros oficiais para ir à praia ao fim-de-semana e passam a ter apenas direito a duas toalhas na casa de banho dos hotéis de 3 estrelas, sem direito a pequeno-almoço no quarto àquelas horas do dia em que muitas pessoas já vão no segundo trabalho.
Como disse, e muito bem, João Miguel Tavares, estes actos são chamados por muitos de "actos de demagogia". À partida parecem actos simbólicos, coisas pequenas que não vão mudar o mundo, "demagogia pura" como diria um certo jornalista. Meus amigos, se estas medidas são demagogia pura eu quero isto ao pequeno-almoço, almoço e ao jantar. Quero ligar a televisão e a rádio e ouvir que o Governo se preocupa tanto quanto eu, embora com coisas diferentes, onde posso poupar quando vou ao supermercado, onde posso estacionar o carro no sítio mais barato, que vou usar uns sapatos mais um mês porque ainda não consigo comprar uns novos. Se é para me preocupar, que nos preocupemos todos, de igual modo. Eles e cada um de nós.

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