segunda-feira, 4 de julho de 2011

Três minutos de fado

O número 234 da Rua de S. Paulo faz hoje 119 anos. O Ascensor da Bica já faz parte do quotidiano de muitos lisboetas e tornou-se ao longo dos anos um lugar obrigatório de passagem.

Maria de Sousa, 'Mariquinhas' como gosta de ser chamada, faz todos os dias uma viagem de ida e volta no ascensor para tomar conta do neto. Apesar de ser dia de festa, não sabe  que hoje há um carimbo especial, mais barato, para quem anda no ascensor.
"Não sabia. Não vi nenhum papel a avisar. Mas também como tenho passe não é preciso."

Para quem faz a viagem nesta altura, ainda sente o cheirinho a Santos Populares. As ruas estão enfeitadas com cores garridas e quase se sente o cheiro a sardinha assada das noites anteriores. As portas e as janelas estão abertas. Sente-se o cheiro a lavanda e a vida. As pessoas cumprimentam-se a toda a hora e toda a gente parece conhecer-se.

Aos 37 anos, Carlos Martins faz a viagem desde a Rua de S. Paulo ao Largo do Calhariz duas a três vezes por semana. É professor no órfeão. Como as viagens se realizam de 10 a 20 minutos ou quando o ascensor enche, desta vez teve de esperar, enquanto fumava calmamente o seu cigarro. Questionado sobre o preço do bilhete, diz que lhe parece um bocado exagerado. "3 euros por uma viagem de uma só paragem é muito. Mas para quem precisa tem de se sujeitar".

O ascensor iniciou as suas viagens em 1892. Na altura, o custo do bilhete era apenas de um vintém. Quatro anos depois, o sistema de tracção a vapor substituía a água para mais tarde, em 1914, ser a electricidade. E a partir daí nunca mais parou.

Luísa Pinheiro tem 21 anos. É natural de Braga. Está em Lisboa a tirar um curso de Belas Artes. Já tinha ouvido falar do famoso ascensor mas a primeira vez que andou nele ficou maravilhada. "A viagem é lindíssima. Vale mesmo apena andar de vez em quando. O contraste dos sons pela calçada acima e a luminosidade própria dos bairros de Lisboa é  fantástico."

A presença de turistas, principalmente em grandes grupos, é uma constante. Chegam a esperar 30 a 40 minutos porque o ascensor leva apenas 21 pessoas na subida e 18 na descida.

As viagens realizam-se de segunda a sábado das 07h00 às 21h00 e domingos e feriados das 09h00 às 21h00.

Tem sido um corropio de gentes, de dentro ou de fora, de estórias e rostos. Não é por acaso que está classificado como monumento nacional e um dos marcos turísticos da cidade de Lisboa.

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